O papel da família, escola e psicoterapia é ensinar habilidades para a vida

Os problemas comportamentais e emocionais na infância e adolescência podem se apresentar de duas maneiras: os que se expressam em relação às outras pessoas (externalizantes), frequentes nos transtornos que envolvem agressividade física ou verbal, comportamentos opositores e desafiadores e anti-sociais; e os que se expressam em relação ao próprio indivíduo (internalizantes), frequentes nos transtornos como depressão, ansiedade e fobia social. Ambos estão relacionados ao déficit em habilidades sociais. As Habilidades Sociais abrangem cinco classes de comportamentos: cooperação, assertividade, responsabilidade, empatia e autocontrole.
O papel da família, escola e psicoterapia é ensinar esses comportamentos as crianças e adolescentes. Ensinar significa arranjar/planejar as contingências favoráveis para o desenvolvimento dessas habilidades.

Por: Viviane Duarte docente do curso de especialização em Atendimento a Crianças e Adolescentes.

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Ansiedade social na infância e estilos parentais

Ansiedade social caracteriza-se por uma intensa ansiedade em uma variedade de situações sociais, seja de contato interpessoal ou de desempenho, ou mesmo ambas, acarretando sofrimento excessivo ou interferindo de forma acentuada no dia-a-dia da pessoa. Existe o medo de ser avaliado e um sentimento de incapacidade, em se comportar de um modo humilhante ou embaraçoso e consequente desaprovação e rejeição por parte dos outros resultando em comportamento de fuga e/ou esquiva a um estímulo social percebido como aversivo. A ansiedade social é um transtorno de evolução crônica e os pacientes evitam ficar em destaque em qualquer situação, agem de acordo com regras muito rígidas de comportamento, procuram controlar a ansiedade antecipatória, apresentam medo do desconhecido e timidez. Tomadas em conjunto essas características, levam a uma má qualidade de vida, que também é impactada por uma incapacidade de definir metas claras e objetivas.

A literatura sugere um curso de desenvolvimento da ansiedade social que incorpora variáveis filogenéticas e ontogenéticas.

As variáveis estilos parentais, relações com colegas,  problemas de internalização, apego na díade criança- pais e ansiedade dos pais, estão realcionadas ao desenvolvimento do TAS. Ollendick & Benoit, 2012

Na história de vida podemos verificar algumas situações que possam vir a ser fatores que predispõem ao desenvolvimento da ansiedade social . Uma das possibilidades é de a ansiedade social se desenvolver como consequência de uma ou mais experiências de condicionamento traumático como no bulling, por exemplo.

A aprendizagem por modelação é outra possibilidade de aquisição de fobia  social. Os pais de pessoas com fobia social costumavam evitar situações sociais, o que os tornava modelo nestas situações. O encorajamento dos pais na sociabilidade dos filhos gera oportunidades para aquisição de habilidades sociais, expõe a criança a novas situações sociais, promovendo a extinção de medos sociais (Falcone, 2000).

A ansiedade social é caracterizada por uma ansiedade acentuada e persistente, Uma comparação direta entre ontogênese e filogênese da ansiedade social revela que a forma da resposta é caracterizada pelo viés da interpretação das situações   desencadeadas por estímulos específicos e presumivelmente baseadas em uma preparação biológica Mühlberger,  Wiedemann,  Herrmann & Pauli  2006

Estilos parentais

Os estilos de rejeição e de superproteção dos familiares são mais fortemente associados com a inibição social.  Crianças com elevada necessidade de aprovação percebem os pais como rejeitadores. Pais são percebidos como não disponíveis e não responsáveis, gerando sentimentos de insegurança. Tais sentimentos se generalizam para outros relacionamentos e podem produzir crença complementar de pouca auto-confiança e de incompetência. Jovens com pais superprotetores tem tendencia a apresentar sintomas de ansiedade social e pior rendimento academico Camacho e Matos, 2007.  A responsividade maternal à comunicação na infância durante os primeiros dois anos e meio estavam inversamente relacionadas a níveis de timidez. A personalidade materna caracterizada por nervosismo, disforia, irritabilidade e inibição foram correlacionadas a níveis de timidez em garotas de 4 a 18 meses por Engfer 1993 As mães de crianças tímidas são mais propensas do que as mães de crianças não tímidas a acreditar que: as habilidades sociais são melhor ensinadas de uma maneira diretiva (dizendo exatamente como agir) em vez de outra maneira (experiência pessoal)acreditavam mais fortemente que comportamentos inábeis deveriam ser respondidos de uma maneira diretiva ou corretiva eram também mais propensas a sentir raiva, desapontamento, culpa e embaraço pelos comportamentos inábeis de seus filhos eram mais propensas a atribuir esses comportamentos inábeis a traços de seus filhos do que a humor ou fatores relacionados à idade. Ansiedade social está associada com história de maus tratos tanto físico quanto sexual, mas também abuso emocional e negligência Iffland e colb. 2012. A socialização dos papéis sexuais também pode estar associada a ansiedade social. É mais apropriado para as garotas do que para os garotos ser visto como tímido. Os pais são mais propensos a advertir seus filhos do que suas filhas por comportamento tímido e inibido.

Treinamento de pais para expressar emoções tem efeito positivo na melhora da ansiedade social dos filhos.

 Relacionamento com os pares

Crianças e adolescentes tímidos parecem estar mais propensos a experimentar relações negativas com os seus colegas. A inibição e o retraimento da criança tímida é percebido como desviante do comportamento social apropriado à idade pelo grupo de colegas, sendo respondido com negligência, rejeição ou maltrato.   Crianças com ansiedade social eram percebidas pelos colegas como menos agradáveis e consequentemente menos desejadas no grupo social. Exibiam padrões de fala ansiosos, latências nas conversações, poucas vocalizações espontaneas, e respostas sociais de baixa eficácia Scharfstein & Beidel, 2014. Crianças fóbicas percebem o ambiente mais negativamente. Tem uma estimativa reduzida de sua própria competência de lidar com o perigo. Mostram padrões cognitivos impeditivos ao enfrentamento a situações ambíguas.     Ansiedade social com início precoce tem um risco maior de tornar-se crônica sem intervenção apropriada.

A identificação e o tratamento precoces da ansiedade social pode evitar repercussões negativas na vida da criança, tais como faltas constantes à escola e a consequente evasão escolar, ou mesmo a utilização demasiada de serviços de pediatria por queixas somáticas associadas à ansiedade.

REFERÊNCIAS

Camacho, I.; Matos,M.G. 2007, Práticas parentais educativas, fobia social e rendimento acadêmico em adolescentes. Revista Brasileira de Terapias Cognitivas, 3:2: versão on line

Engfer, A. (1993). Antecedents and consequences of shyness in boys and girls: A 6 year longitudinal study. In K. H. Rubin & J. Asendorpf (Eds.), Social withdrawal, inhibition, and shyness in childhood (pp. 49-80). Hillsdale, NJ: Lawrence Erlbaum Associates.

Falcone, E. M. O..(2000) Ansiedade social normal e ansiedade fóbica – limites e fundamentos etológicos. Revista de Psiquiatria Clínica, 27: 301-308..

Iffland,B, ;Sansen,L.; Catani,C.; Neuner,F.  (2012) Emotional but not physical maltreatment is independently related to psychopathology in subjects with various degrees of social naxiety: a web-based internet survey. BMC Psychiatry: 12: (49): 35-42.

Scharfstein, L.A.; & Beidel. D.C. (2014) Social Skills and Social Acceptance in Children with Anxiety Disorders. Journal of Clinical Child & Adolescent Psychology: 44(5): 826-838.

Mühlberger AWiedemann GHerrmann MJ,  (2006) Pauli P. Phylo- and ontogenetic fears and the expectation of danger: differences between spider- and flight-phobic subjects in cognitive and physiological responses to disorder-specific stimuli. J Abnorm Psychol. 115(3):580-9.

Ollendick, T.H.: Bernoit, K. E. (2012). A parent-child international model of social anxitey desordem in youth. Cila. Child. Faz. Psychol Ver: 15(1): 81-91.

Por: Mariangela Gentil Savoia

Este é um conteúdo que será apresentado em nosso curso de Especialização em crianças e adolescentes na TCC com início em 17/03/2017. Para maiores informações acesse nosso site: http://www.conscientia.com.br

Como eu sei se o que eu tenho é o Transtorno Bipolar?

Para saber exatamente o que está acontecendo com você e se é o Transtorno Bipolar, faz-se necessário a consulta com um especialista, mais especificamente, um médico Psiquiatra. Este é o profissional mais indicado para avaliar corretamente o que está ocorrendo com recomendar o melhor tratamento para reduzir seu sofrimento, diminuindo os prejuízos que este problema acarreta.

Entretanto, como dissemos antes, o Transtorno Bipolar é caracterizado pela presença de mudanças extremas e patológicas do humor, que variam entre dois polos, indo da tristeza profunda e persistente (depressão) até a euforia e sentimento de grandiosidade (Mania).

Por Dra. Roseli Lage de Oliveira

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Se alguém da minha família tem o Transtorno Bipolar, eu também terei?

Não necessariamente. O fato de um familiar ter o Transtorno Bipolar não é uma sentença imediata e certa que você também o terá. Apenas há uma maior probabilidade de que você venha a ter. Mas como em diversos outros problemas de saúde, o Transtorno Bipolar é multifatorial, o que indica que há diversos fatores inter-relacionados que contribuem para o desenvolvimento desta síndrome, entre eles: história familiar, presença de diversos eventos estressores, dificuldade para enfrentar ou superar eventos estressores, estilo de vida pouco saudável ou instável, como passar as noites em claro, fazer uso excessivo de álcool ou outras drogas, abusar de cafeína ou outras substâncias estimulantes, entre outros.

Por Dra. Roseli Lage de Oliveira

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O que é o Transtorno Bipolar?

O Transtorno Bipolar ou Transtorno Afetivo Bipolar é um transtorno mental, ou seja, é um problema de saúde que se apresenta em decorrência de alterações químicas e anatômicas no cérebro. Isto significa que ele não está sujeito à vontade do indivíduo, mas que se manifesta em virtude destas alterações.

O Transtorno Bipolar é uma síndrome caracterizada por mudanças extremas e patológicas do humor, podendo variar entre dois polos, indo da tristeza persistente e profunda (depressão) até a completa euforia e sentimento de grandiosidade (mania).

Este transtorno atinge aproximadamente 2% da população e tem uma forte relação com o histórico familiar, o que indica que se pessoas da sua família tem ou tiveram este problema, há uma maior probabilidade de que você possa vir a desenvolver este problema.

Por Dra. Roseli Lage de Oliveira

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Relações sociais e interpessoais no Transtorno de Estresse Pós-Traumático

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As consequências das relações sociais e interpessoais para uma pessoas que sofre Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) são imensamente danosas. Assim como mudanças do sistema familiar, problemas de intimidade, aumento de conflitos, diminuição do prazer nas atividades compartilhadas, irritabilidade com os membros da família, violência verbal e interpessoal.
Consequentemente, confiar em outras pessoas é uma questão muito delicada, podendo ser inadequadamente agressivos ou hostis em situações sociais percebidas como ameaçadoras e formarem padrões familiares disfuncionais.
Procure um especialista, tem tratamento!
Por Érica Panzani

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Internação no Transtorno Bipolar?

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A internação de pessoas com transtorno bipolar ainda é controversa socialmente, no entanto, em alguns casos, quando a pessoa que possui este problema coloca em risco sua saúde e sua vida, ou em risco a saúde e vida de outras pessoas, pode ser necessário realizar uma intervenção mais restritiva, embora temporária. Isto só ocorre, como mencionado, em casos extremos, como quando a pessoa perde completamente a crítica e, por impulso, faz diversas coisas impensadas, tornando-se agressiva (para si ou para outras pessoas), ou então, quando a pessoa passa a ter o que chamamos de sintomas psicóticos, ou seja, tem pensamentos e ideias sem sentido, sem coerência e absurdas, acompanhadas por alucinações – ver ou ouvir coisas que não existem.
Então, não se assuste com a ideia da internação, pois ela é uma recomendação médica, que só será utilizada em casos de necessidade extrema.
Procure sempre um especialista!
Por Roseli Lage de Oliveira

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Transtorno de Estresse Pós-traumático

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Aqueles que estão sujeitos a terem o Transtorno de Estresse Pós-Traumático são: pessoas que sofreram algum tipo de violência, testemunhou ou ficou sabendo que algum familiar ou amigo próximo que sofreu algum evento traumático. Uma outra população que pode sofrer com essa psicopatologia são os profissionais que ficam expostos à detalhes dos eventos traumáticos como policiais e socorristas.
É uma condição de saúde mental debilitante frequentemente associada a comorbidades psiquiátricas e alterações na qualidade de vida. Seu percurso pode ser crônico e trazer grandes consequências para as atividades de vida diárias.
A busca de tratamento é de fundamental importância para o restabelecimento da qualidade de vida e diminuição dos sintomas. No entanto é muito importante que a pessoa não permaneça exposta ao evento traumático. Entre as abordagens existentes, destaca-se a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), que tem recebido bastante atenção nas últimas décadas
Por Érica Panzani Duran

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Por que é tão difícil suportar meses, e às vezes anos de diferentes regimes?

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Quando somos bem sucedidos e de fato conseguimos emagrecer, por que depois de algum tempo nosso peso volta novamente, como se tivesse sentido nossa falta? Brincadeiras à parte, o emagrecimento bem sucedido, ou seja, àquele em que o peso ideal é obtido e mantido, depende de vários fatores.

Um desses fatores é a ressignificação do valor da comida. Por quais motivos nos excedemos? Será que quando estou triste ou ansioso como mais? Busca-se entender qual é a função do comportamento de comer mais do que o necessário.

Temos que pensar também nas armadilhas que pregamos em nós mesmos. Fazemos as compras de casa de maneira correta? Quando não conseguimos evitar comprar doces e chocolates, os deixamos à nossa vista para comermos a qualquer hora?
Além de mudarmos nosso comportamento, temos que tomar cuidado com a nossa maneira de pensar, já que provavelmente ele não tem dado muito resultado quando se trata de emagrecer. Tenho certeza que em algum momento você no meio de um regime já pensou algo do tipo: -Hoje vou a uma festa à noite, e já que irei sair do regime mesmo vou chutar o balde e comer tudo o que eu quiser.
Será que não haveria outro modo de pensarmos a mesma situação? Algo como: -Hoje vou a uma festa à noite, vou sair do regime mas não muito, vou comer só um pedaço de bolo. Isso não vai atrapalhar meu regime.
Ou que tal:- Hoje vou a uma festa à noite, quero comer bolo então vou pegar leve agora no almoço, ou fazer mais exercícios na academia para compensar.
Veja como o primeiro pensamento, negativista, não nos dá força e motivação para continuarmos no regime e os dois outros pensamentos oferecem alternativas para que não deixemos , mesmo em regime, de aproveitarmos os prazeres da vida.
Lembre-se que antes de ser esteticamente desejável, emagrecer envolve diversos benefícios a sua saúde emocional e física, desde melhora da auto estima, funcionamento cardiovascular, até prevenção e melhora da dor crônica.

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Terapia cognitivo comportamental e suas habilidades

terapia cognitivo comportamental

A Terapia cognitivo comportamental tem se mostrado eficaz no manejo de pacientes psiquiátricos e clínicos e tem sido reconhecida como intervenção de escolha em instituições com abordagem multiprofissional. A atuação no universo institucional leva o profissional a rever o seu papel enquanto membro de uma equipe multidisciplinar ou interdisciplinar e as especificidades de intervenção que este espaço estabelece.
O terapeuta deve apresentar habilidades diversas essenciais para o processo terapêutico, tais como habilidades teóricas, técnicas, sociais e de integração com outros profissionais. Deve, portanto, integrar a teoria e a prática do atendimento psicológico em Instituições de Saúde Mental. As contingências que as instituições liberam aos seus membros têm efeito na sua atuação. O comportamento do psicoterapeuta está subordinado a esses controles, a discriminação que é capaz de efetuar e que efeitos essas contingências tem sobre o seu comportamento. Algumas ações como implantar programas terapêuticos em parceria com outras equipes, discussões periódicas com estes profissionais fazem parte do programa terapêutico e pressupõem uma boa capacidade de interação.
Este processo envolve uma série de mudanças e medidas de adaptação destas pessoas. Para tanto os profissionais devem se apoiar em métodos científicos através da busca do conhecimento que lhe sirva de base segura. A literatura demonstra a necessidade da formação após a graduação nesta abordagem de técnicos de nível superior para esta população. Os profissionais de Saúde, não “psi” precisam saber sobre análise de comportamento humano e algumas competências que dizem respeito ao conhecimento científico disponível, da produção desse conhecimento e dos usos que se pode fazer deles. Verifica-se a relevância da formação na abordagem cognitivo comportamental para outros profissionais da área da saúde.
Por Mariangela Gentil Savoia