Você tem medo de que?

Segundo a OMS, doenças associadas à ansiedade já atingem mais de 264 milhões de pessoas em todo o mundo

Imagem fobia blogpor Gabriela Schatz

 Irmão do Deus do terror Deimos, eram esperados grandes feitos de Fobos, um dos três filhos de Ares e Afrodite. Diferentemente da irmã Harmonia, considerada a personificação da paz, Fobos puxou o lado paterno da família, lutando as batalhas do pai e formando uma dupla imbatível com o irmão: Deimos espalhava o terror; Fobos o medo.

Eras mais tarde, quando os deuses do Olimpo já haviam se aposentado e cedido seus lugares a novas divindades, o mito de Fobos serviu para dar nome a uma das doenças mais recorrentes da atualidade: a fobia. Ainda hoje, ela faz jus ao mito que lhe nomeou, sendo diretamente ligada ao medo. Há apenas uma pequena diferença entre os dois conceitos: o medo é um instinto natural e necessário para a preservação da espécie. Já a fobia ocorre quando o medo atinge um nível irracional e prejudicial ao indivíduo. “A fobia é um medo desproporcional de uma situação”, explica Mariângela Gentil, doutora em Psicologia do Pequeno Instituto de Psiquiatria da USP. “Ele faz com que você fuja da situação. Então, por exemplo, se eu tenho fobia de elevador, eu olho para o elevador e subo a escada”.

A fobia é considerada, pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DMS V), um transtorno de ansiedade, ou seja, um distúrbio que compartilha características de medo e ansiedade excessivos, além de perturbações comportamentais. O medo é a resposta à ameaça iminente, sendo associado a pensamentos de perigo ou comportamento de fuga. Já a ansiedade é caracterizada pela antecipação de uma ameaça futura, tendo sintomas como tensão muscular, vigilância e comportamento de esquiva ou cautela.

Segundo o relatório sobre “Depressão e outros transtornos mentais comuns”, disponibilizado pela OMS (Organização Mundial de Saúde) em 2017, os transtornos de ansiedade, nos quais a fobia se encaixa, já atingem mais de 264 milhões de pessoas pelo mundo, sendo mais comuns em mulheres. Na região das Américas, por exemplo, 7,7% de mulheres sofrem com essas patologias, enquanto o percentual dos homens é bem menor, 3,6%.

Não há uma explicação exata para o surgimento das fobias, as causas variam desde acontecimentos traumáticos, pressão social que os indivíduos sofrem diariamente ou até mesmo a genética. Em alguns casos, elas surgem sem motivo conhecido. “Existe uma explicação genética, as pessoas que tem na família alguém com essas características têm maior probabilidade de ter. Outras fobias surgem de situações traumáticas. Mas às vezes não acontece nada, você nunca ficou preso em elevador e você tem medo de elevador”, esclarece Mariângela.

Maria Cristina não sabe dizer por qual motivo desencadeou uma claustrofobia (medo de lugares fechados). “Insegurança e também um pouco da atenção das pessoas, eu sentia que todos estavam me olhando”, chuta incerta. Hoje, aos 58 anos, ela superou seu medo, mas ainda se recorda das perdas que a doença lhe causou. “Eu nunca terminei meus estudos de piano, que fazia há muitos anos. Perdi o curso de Administração de Empresas, que fazia na faculdade. Eu sempre saia correndo de tudo”, relembra com pesar.

Mariane, por outro lado, ainda precisa conviver com seus medos. Desde pequena ela sofreu por ser diferente, enquanto outras crianças se alegravam ao enxergar um palhaço, ela entrava em pânico. “Uma vez, há alguns anos, um palhaço me ofereceu um balão no sinal e eu dei um soco na cara dele, alguns minutos antes de desmair e chorar muito. Só não chamaram a polícia, porque minha amiga explicou para os presentes a minha situação. Como eu disse antes, muitas vezes eu perdia completamente o controle das minhas ações”. Além da coulrofobia, reconhecida como o medo intenso de palhaços, Mariane também possui tripofobia, um temor inexplicável de padrões geométricos, geralmente buracos em agrupamento encontrados na natureza, como colmeias de abelhas.

Hoje, com 21 anos, ela se alegra ao perceber uma melhora nas crises: “Sinto medo e tenho um mal-estar grande, procuro evitar situações de contato com os causadores das fobias, mas havendo o contato, as crises não costumam vir fortes como antes”. Para Mariane, o mais difícil é lidar com a descrença dos outros. “A única situação que de fato me incomodou foi ver uma quantidade gigantesca de pessoas fazendo chacota da fobia e até provocando em grupos e afins. Cheguei a ter que sair de um grupo de cinema que eu adorava, porque quando eu e algumas pessoas reclamamos sobre os palhaços serem trigger [gatilho], ‘instauraram’ uma ditadura dos palhaços no grupo para nos provocar. Ou seja: ninguém leva fobia a sério. Já chegaram a me falar que isso nem existe”, comenta, após ser questionada sobre sua reação ao recente lançamento do filme “IT, a coisa” (2017), do diretor Andy Muschietti, que tem como personagem principal um palhaço demoníaco.

 É hora de pedir ajuda?

O grande X da questão quando se discute a fobia é a qualidade de vida. No geral, toda pessoa que possui uma fobia vai passar por situações de ansiedade, pânico e medo absurdo ao longo de sua vida em comum com o transtorno. Além disso, a fobia atrapalha atividades comuns do dia a dia. Quem possui agorafobia ou fobia social, por exemplo, passa a deixar de frequentar lugares, de sair com amigos ou de se relacionar amorosamente. Para evitar isso, é preciso, em primeiro lugar, aceitar que há um problema.

“Às vezes ela nem sabe que aquilo existe, que é um problema. Ela acha que é, a gente brinca, a ‘Síndrome de Gabriela’. Uma coisa da personalidade dela, eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou assim”, Mariângela brinca. É comum que exista um preconceito estabelecido sobre a fobia: a ideia de que não passa de uma frescura. Tal tabu é extremamente prejudicial para aqueles que possuem o transtorno, impedindo, muitas vezes, que busquem ajuda por acreditarem nesse prejulgamento. “Dependendo da fobia a pessoa deixa de fazer muitas coisas. Eu tive uma paciente que tinha fobia de sangue e agulhas, ela tinha 39 anos e nunca tinha feito um exame de sangue. Nunca tinha feito um hemograma na vida. Era uma coisa bem preocupante. Ela não podia engravidar, porque tinha medo. É que quando a gente fala prejuízo não imaginamos o tamanho do prejuízo”, diz Mariângela.

Além disso, as crises podem causar danos físicos aos indivíduos que possuem a patologia. “No caso da coulrofobia, começam com falta de ar (muito semelhante a uma crise de asma), seguidas de hiperventilação, tonturas e desmaios e vômito. Em alguns casos posso ficar agressiva e sem controle sobre as minhas ações, o que gera transtornos muito grandes. Na tripofobia é mais leve (se comparado), normalmente são tonturas, vômito e crises de coceira, chegando a rasgar a pele de tanto arranhar”, conta Mariane.

A primeira visita a um consultório pode ser assustadora, por isso é importante o apoio da família. Antes, durante e após o tratamento, a companhia dos pais, filhos ou conjugues se torna vital para alcançar a cura. Na clínica, após descobrir qual é o exato tipo de fobia que o paciente possui, é dado início ao tratamento. Na maioria dos casos a solução é a mesma: enfrentar o medo. Logo, aos poucos, os psicólogos iniciam um processo chamado Terapia Cognitiva Comportamental (TCC), na qual o paciente será exposto a situações que lhe causam a fobia e terá de enfrentá-las, aprender a conviver e lidar melhor com elas. Em alguns casos específicos, como pacientes com agorafobia (medo de lugares e situações que possam causar pânico, impotência ou constrangimento), o tratamento também ocorre na base de medicamentos.

Renata já deixou de realizar muitas atividades por causa da fobia. “Não uso serviços de bancos, supermercado, feiras, não consigo ficar em lugares fechados com muitas pessoas. O supermercado me deixa desesperada, a feira, com muitas vozes e pessoas se esbarrando… Parece que sou a atração, todo mundo me olha como se estivesse escrito na minha testa que tenho fobia”. Diagnosticada com agorafobia, aos 33 anos, Renata logo recorreu ao auxílio profissional, sentia que aquilo não podia ser apenas uma bobeira sua.  Após procurar ajuda, partiu para o tratamento com medicação.

Com Maria não foi diferente, assim que percebeu que estava com um transtorno real, procurou ajuda. “No psicólogo e no psiquiatra eu fazia relaxamento, tomava, às vezes, algum medicamento. E tinha que fazer o exercício de procurar enfrentar o problema gradativamente”.

Hoje em dia já existem softwares criados especificamente para o auxílio do tratamento dessas fobias. Em certos quadros se torna difícil trabalhar a exposição direta ao medo, como uma paciente com fobia de injeção-agulha que fica grávida ou alguém com medo de voar. Como confrontar essas fobias diretamente? “Em alguns casos hoje a gente já tem softwares para trabalhar com a realidade virtual. Então a pessoa se expõe a situações de ansiedade de modo virtual”, explica a psicóloga. O sistema funciona de forma semelhante a um vídeo game e, apesar de ainda não ter grande público no Brasil, a realidade virtual vem apresentando bons resultados.

 

A terapia não é um processo demorado, em cerca de seis meses o paciente com fobia específica, por exemplo, pode estar curado. E não são apenas clínicas particulares que oferecem tratamento, é possível buscar ajuda em clínicas de escolas de psicologia e psiquiatria e em locais como o Hospital das Clínicas de São Paulo, a Santa Casa e também a Associação dos Portadores de Transtornos de Ansiedade, uma ONG que oferece ajuda gratuita a pessoas com esse tipo de patologia.

Classificação

Os especialistas classificam as fobias em três tipos: social, agorafobia e específica. A fobia social é caracterizada pelo medo de interações sociais. Normalmente, as pessoas que possuem esse transtorno temem ser humilhadas ou avaliadas negativamente pelos outros, evitando encontros com desconhecidos, se alimentar em público, entre outras situações que possam lhes colocar nessa posição.

A agorafobia é identificada pelo medo de situações onde a pessoa acredita estar incapacitada de encontrar um escape caso passe mal ou tenha um ataque de pânico. Logo, os locais mais assustadores para os agorafóbicos são os transportes públicos, espaços muito abertos ou muito fechados, multidões ou, em alguns casos, simplesmente estar sozinho fora de casa.

A fobia específica é um pouco mais ampla. Pode ser dividida em quatro subtipos principais: de animais, de ambiente natural, de sangue-injeção-ferimentos ou situacionais. Nesse quadro, o indivíduo se esquiva de objetos ou situações singulares. E a lista desses medos é enorme. Dentre os mais curiosos estão a coulrofobia (medo de palhaços), somnifobia (medo de adormecer), a heliofobia (medo do sol), entre centenas de outros tipos que podem ser encontrados mundo afora.

Não é um exagero dizer que o número de fobias existentes é quase infinito. Devido a sua natureza ligada, geralmente, a eventos traumáticos, é possível que surjam novas fobias com frequência. Os dicionários comportam apenas algumas centenas de nomes para esses transtornos, no entanto é possível que existam muito mais medos por aí do que os livros nos contam.

Algumas das fobias mais curiosas

 Fobofobia: ironicamente, é o medo de sentir medo

Tripofobia: medo de buracos aglomerados

Coulrofobia: mais comum em crianças, é o pavor de palhaços

Afefobia: o medo irracional de ser tocado

Heliofobia: é o medo inexplicável do Sol. Pode gerar grandes problemas, como a falta de vitamina D

Somnifobia: o medo de dormir, ou por achar que nunca mais vai acordar ou por causa de pesadelos

 

 

Procedimentos terapêuticos inovadores

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O terapeuta conta com muitas publicações, com novas idéias e novos instrumentos. O conhecimento está cada vez mais dinâmico, o volume de publicações e a possibilidade de acesso a elas permitida pela internet é enorme. Da mesma forma a tecnologia vem crescendo a cada momento e hoje, além dos lencinhos de papel temos outras necessidades dentro do consultório. Na pratica clinica precisamos inovar usando os meios eletrônicos que nos são disponíveis, como computador, internet, biofeedback, realidade virtual, aplicativos. Vivemos em um meio em que estes recursos estão se desenvolvendo e se faz necessário incorporá-los na nossa pratica. É necessário também estarmos atentos aos avanços da nossa abordagem e incorporarmos, com crítica, as novas técnicas terapêuticas com o objetivo, sempre, de prestar um serviço diferenciado aos nossos clientes, tendo sempre em conta que o embasamento científico deve nortear qualquer intervenção.

Escrito por: Mariângela Gentil Savoia

Realidade Virtual

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A Realidade Virtual é uma técnica avançada de interface na qual o usuário pode realizar imersão, isto é, a sensação de estar dentro do ambiente, como também a interação e envolvimento com este mundo tridimensional.
Os sistemas de RV podem ser imersivos ou não imersivos. A RV imersiva ,onde há um isolamento do mundo exterior, é baseada no uso de dispositivos visuais como os capacetes e/ou visores, e de salas de projeção, e luvas, rastreadores e mouse 3D. Já a RV não imersiva, baseia-se no uso de monitores e o usuário é transportado, parcialmente, para o mundo virtual. Estas aplicações tecnológicas abrangem imagens em 3D apresentadas por monitores e óculos estereoscópicos polarizados, que permitem a visualização destas imagens a um custo menor que os sistemas de realidade virtual imersiva.
A RV tem sido aplicada na psicoterapia em diversos tipos de transtornos, por meio da técnica da exposição. Os estudos em Exposição à Realidade Virtual (ERV) têm demonstrado eficácia nos tratamentos de transtornos fóbico-ansiosos, como fobia social; fobias específicas, fobia de voo, fobia de altura, fobia de aranha; transtorno de pânico com ou sem agorafobia e estresse pós-traumático, entre outros.
Os preceitos da técnica de exposição são que ela deve ser gradual, repetida e prolongada, iniciar-se das cenas que causam menos desconforto em direção às que causam mais desconforto, cujo objetivo final é que o paciente enfrente todos os itens da hierarquia com significativa redução da ansiedade e do desconforto. Esta técnica pode ser feita ao vivo ou na imaginação.
É importante ressaltar que a exposição tem algumas limitações. Uma delas é a importância de verificar a viabilidade da situação que será enfrentada na exposição ao vivo, pois algumas dessas situações podem ter um tempo muito curto de exposição, impossibilitando a habituação. Por exemplo, assinar um cheque. Outra limitação é, ao contrário de muitas das outras fobias, a imprevisibilidade das situações sociais e de desempenho. Além disso, a esquiva do paciente das situações sociais pode ser determinada pela falta de habilidades sociais, dificultando seu engajamento na exposição ao vivo. A dificuldade de visualização na exposição na imaginação também pode ser outra limitação. A exposição ao vivo apresenta um tempo de exposição muito curto, o que torna difícil a habituação. Com a exposição à realidade virtual, esta limitação não se dá, podendo as cenas serem repetidas um grande número de vezes, facilitando, assim, a habituação. A exposição à realidade virtual (ERV) tem preenchido estas lacunas e tem sido uma grande aliada no tratamento destes transtornos.

Escrito por: Cristiane Maluhy Gebara

Orientação psicológica online

Atualmente no Brasil o Conselho Federal de Psicologia determina que a psicoterapia online seja realizada somente em pesquisas acadêmicas. O que pode ser feito pelos psicólogos comercialmente é uma orientação psicológica limitada à 20 sessões por paciente.

Apesar dos inúmeros benefícios como a  redução do valor da sessão (já que o psicólogo não precisa arcar com despesas de aluguel), atendimento à pessoas que moram em regiões distantes ou com problemas de locomoção, muito se discute sobre a eficácia da psicoterapia online. Existem aqueles que se contrapõem pois afirmam que o contato humano é indispensável para um bom atendimento. Pensando nisso diversos cientistas pesquisaram se é possível realizar bons atendimentos à distância. Eles não só descobriram que sim, é possível realizar bons atendimentos, como também verificaram que os atendimentos online não diferiam em relação aos atendimentos presenciais quanto à diminuição de sintomas como também na aliança terapêutica entre o paciente e o terapeuta.

A aliança terapêutica é conceituada como a formação de um compromisso entre o terapeuta e o paciente, uma relação que deve ser positiva e estável para que o processo terapêutico transcorra com sucesso. LUBORSKY (1994) revisou o tema da aliança terapêutica com pesquisas entre 1976 a 1994 e verificou que a aliança terapêutica era a mais popular fonte de verificação para determinar se um tratamento seria bem sucedido ou não.

Por conta disso diversas pesquisas realizadas na área da psicoterapia online medem a aliança terapêutica para comparar com a psicoterapia presencial. Além disso é medido também a evolução dos pacientes quanto aos seus sintomas. Diversas pesquisas e revisões sistemáticas obtiveram os seguintes resultados:

1)        A aliança terapêutica na psicoterapia online é estabelecida  e mantida de modo muito semelhante ao encontrado em atendimentos presenciais, ou seja, não importou se as pessoas estavam cara a cara ou distantes uma da outra. RODRIGUES (2014).

2)        Ocorreu melhora do paciente com relação à sintomas como depressão e insônia e mesmo depois de 2 meses do fim da psicoterapia online os pacientes ainda mantiveram os benefícios da psicoterapia. LICHSTEIN, K. L. et al.(2013).

3)        A satisfação com a psicoterapia online  é comparável com o tratamento presencial. JENKINS-GUARNIERI, M. A. et al.(2015)

Há também a possibilidade dos pacientes intercalarem as sessões presenciais com as online quando for necessário, seja por conta de uma viagem ou por conta de uma mudança de endereço do psicólogo. Essa é mais uma ferramenta que deixa os psicólogos mais próximos dos pacientes e que democratiza o atendimento para pessoas de todas as partes do nosso país.

Referências

JENKINS-GUARNIERI, M. A. et al. Patient Perceptions of Telemental Health: Systematic Review of Direct Comparisons to In-Person Psychotherapeutic Treatments. Telemed J E Health, v. 21, n. 8, p. 652-60, Aug 2015. ISSN 1530-5627.

LICHSTEIN, K. L. et al. Telehealth cognitive behavior therapy for co-occurring insomnia and depression symptoms in older adults. J Clin Psychol, v. 69, n. 10, p. 1056-65, Oct 2013. ISSN 0021-9762.

LUBORSKY, L. Therapeutic Alliances as Predictors of Psychoterapy Outcomes: Factos Explaining the Predictive Success. In The Working Alliance: Theory, Research, and Practice, Capítulo 2; Edited by Adam O. Horvath and Lesle S. Greenberg. New York (EUA), Editora John Wile & Sons, 1994.

RODRIGUES, Carmelita Gomes. Aliança terapêutica na psicoterapia breve online. 2014. 96 f., il. Dissertação (Mestrado em Psicologia Clínica e Cultura)—Universidade de Brasília, Brasília, 2014.

Texto escrito pelo psicólogo Ricardo Daud Amadera

 

Por que nós nos preocupamos?

A Preocupação ajuda ou atrapalha? Roseli Lage de Oliveira A preocupação é uma emoção natural que os seres humanos possuem. Ela pode ser muito positiva em alguns momentos, mas pode também se tornar um problema. Vamos então entender o significado desta palavra, conforme o dicionário Michaelis: • Ato ou efeito de preocupar-se • Estado em que um indivíduo se encontra absorto por uma ideia fixa, um pensamento dominante • Inquietação resultante desta ideia • Ideia preconcebida, opinião desfavorável que se expressa antecipadamente. Ao observarmos estes significados para a preocupação, quero ressaltar alguns aspectos importantes, como o fato de ser uma ideia fixa, ou seja, algo que pensamos a respeito de alguém ou de alguma coisa e que permanece em nossa mente. Além disso, pode resultar em inquietação. A preocupação nada mais é do que uma emoção resultante de ideias preconcebidas, o que não implica que estes sejam reais ou mesmo prováveis. Por exemplo, quando alguém possui um teste para se habilitar a dirigir, a pessoa pode preocupar-se em errar no momento da prova, achar que se não conseguir as pessoas irão satiriza-lo, ou mesmo pode ficar tão preocupado que isto desencadeie uma ansiedade excessiva que dificulte em seu desempenho e o leve à reprovação. Neste contexto, talvez a pessoa esteja se antecipando a um resultado negativo, que não necessariamente irá ocorrer. A preocupação é importante e necessária para a nossa sobrevivência, pois ela nos possibilita antecipar situações que necessitem que nos preparemos a elas. Quando uma pessoa vai para uma entrevista de emprego, se ela ficar preocupada em conseguir a vaga, pode se antecipar conhecendo o perfil da empresa, principais clientes, ramo de negócios, entre outros. Estas informações poderão ser muito úteis no momento da entrevista, pois demonstram ao selecionador seu interesse pela empresa e cuidado por obter informações a respeito do local onde pretende atuar. Por outro lado, se esta preocupação vier em nível excessivo, se estes pensamentos começarem a lhe transtornar ou mesmo lhe deixar muito ansioso, pode atrapalhar no momento da entrevista. O que estou buscando ressaltar aqui é a importância de identificarmos se a preocupação é real, e em caso positivo, observar se a sua intensidade é proporcional ou não a situação. Verifique também se as ideias fixas que a acompanha são exclusivamente negativas, catastróficas ou mesmo sem evidências reais. Caso ela esteja em nível excessivo, lhe causando sofrimento, ansiedade, tristeza, desânimo ou mesmo ocupando a maior parte do seu tempo, este é o momento de parar, respirar fundo e aprender a lidar com a sua preocupação, ou melhor, pré-ocupação. Algumas orientações importantes para lidar com esta preocupação excessiva: • Pare, respire devagar e profundamente, permita que o ar entre em seus pulmões, desça até o seu abdômen, solte o ar bem devagar. Repita isto algumas vezes, até você conseguir se sentir um pouco mais calmo e relaxado. A respiração profunda pode ajudar a oxigenar seu cérebro e lhe ajudar a pensar melhor; • Agora, procure descrever em uma ou duas linhas o seu problema, ou motivo da sua preocupação; • Após ter claro o seu problema real, liste todas as suas preocupações, todos os pensamentos, ideias fixas e/ou recorrentes que o estão pré-ocupando; • Com esta lista em mãos, avalie cada um destes pensamentos e veja as evidências reais destes, por exemplo, acho que não conseguirei passar na prova ou na entrevista de emprego. Avalie as evidências reais de que você não conseguirá, como por exemplo, você não fez as aulas necessárias pela autoescola, ou você está procurando uma vaga na área financeira, mas sua experiência e formação é em marketing? Se não houver evidências reais de que estas preocupações são verdadeiras, procure questioná-las diariamente, até que estas ideias fixas vão se tornando cada vez mais leves e menos catastróficas; • Outra coisa que pode lhe auxiliar é você avaliar, diretamente, se estas preocupações te ajudam ou te atrapalham. Pensar desta maneira, que você não irá conseguir, que não dará certo, te ajuda a solucionar o problema ou alcançar seu objetivo? Se não, talvez seja o momento de você se livrar das suas preocupações; • Evite manter pensamentos do tipo tudo ou nada, como sucesso absoluto ou fracasso. Coloque a situação em perspectiva. Muitas vezes temos soluções alternativas que podem nos satisfazer, sem causar tanto sofrimento; • Se as preocupações estão presentes durante a noite e atrapalham o seu sono, isto é sinal de que chegou o momento de retirar este hospede indesejável da sua cama. Se preferir, você pode anotar todas as suas preocupações em um papel antes de dormir, as vezes são apenas tarefas que você precisa realizar no dia seguinte, mas para não se esquecer, se preocupa com elas. Então deixe um bloco de notas ao seu lado na cama, anote a preocupação e lembre-se que elas estarão ali no papel quando você acordar, de modo que não há necessidade de permanecerem em seu pensamento. • Procure fazer atividades prazerosas e relaxantes, isto alivia os pensamentos negativos e pode lhe auxiliar a lidar com suas preocupações, como passear no parque, observar a natureza, caminhar na areia da praia, ouvir uma música agradável e relaxante, entre outros; Contudo, se você já fez diversas tentativas de se livrar da preocupação, se você já buscou seguir estas orientações e não consegue se desvencilhar dela, ela continua presente na sua vida, causando sofrimento ou até lhe paralisando, talvez seja necessário procurar um especialista, um psicólogo pode lhe ajudar a compreender e lidar com elas. Por fim, não esqueça que o maior responsável por sua felicidade é você, então, se coloque em primeiro lugar e aproveite as boas oportunidades que a vida nos traz para viver e nos sentirmos realizados.

Ofereça modelos de comportamento socialmente habilidosos

Uma das formas pelas quais crianças e adolescentes aprendem a se comportar é por meio da modelação, ou imitação. Sendo assim, se quiser que seu filho emita respostas adequadas e tenha um vasto repertório de habilidades sociais, você deve oferecer modelos de comportamento adequados, buscando agir sempre do modo que espera e pede que seu filho aja. Se quiser que ele seja gentil, honesto e empático com as pessoas, você também deve emitir essas condutas em seus relacionamentos. Rafaela é coordenadora do curso de Especialização em Crianças e Adolescentes.

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Vínculo

Um dos aspectos extremamente importante para o desenvolvimento sócio-emocional da criança é o Vínculo Estável, principalmente nos primeiros anos de vida. Será esta experiência que possibilitará à criança aprender a confiar nas pessoas e de que o mundo é um lugar seguro. Os pais quando estiverem com o filho devem estar de fato presentes, desligue o celular, computador e pensamentos relacionados ao trabalho. Esteja com a criança, preste atenção ao que faz e fala, elogie e demonstre seu amor. E nunca fale que você deixará de amá-lo porque não gostou do que ele fez. Quando seu filho fizer algo que lhe incomoda, profundamente, fale que você não gostou do comportamento dele; a retirada de algum item ou da própria criança do ambiente é pelo comportamento dela. Viviane é professora do curso de Especialização em Atendimento a crianças e adolescentes http://goo.gl/zgtyKJ

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Mas como saber se o que eu tenho, sinto ou faço é um problema de saúde mental como o Transtorno Bipolar?

Uma das características é que as alterações do humor ocorrem por episódios, ou seja, por períodos, em que ora pode estar em mania ou hipomania, ora pode ir para o polo oposto, a depressão. O tempo em que cada pessoa permanece nestes episódios ou períodos é variável, indo de dias a meses, mas há um período mínimo para que se possa fazer o diagnóstico de transtorno bipolar, que poderá ser melhor investigado por um especialista.

Alguns dos sinais e sintomas da mania são: humor eufórico, exaltado e alegre; sentimento de grandiosidade, com grandes ideias e projetos, sentindo-se muito “poderoso”; diminuição da necessidade de sono, acordando muitas vezes no meio da noite ou até nem conseguindo dormir, mas com muita energia para fazer diversas atividades; aumento do desejo sexual com um consequente aumento da atividade sexual, seja com seu companheiro (a), ou mesmo em relacionamentos extraconjugais; nível de agitação motora aumentado, iniciando diversas atividades ao mesmo tempo, mas apresentando grande dificuldade em concluí-las; fala mais rápida, com pensamentos, muitas vezes, incoerentes e sem nexo, pois parece que a pessoa muda de um assunto para outro, sem concluir nenhum deles.

Para quem está em mania, em muitas ocasiões pode ser difícil a pessoa acreditar que possui algum problema, pois sente-se muito bem, feliz, com uma sensação de satisfação e bem-estar indescritíveis. Para ela, estar ativa, trabalhar, cantar, dançar e ser feliz, embora exageradamente para as outras pessoas, para ela a sensação não é de que há algo de errado. Por isto, torna-se importante a família ficar atenta e ajudar seu ente querido, pois uma das características dos episódios de mania é a ausência ou a diminuição da capacidade de crítica, de perceber seus comportamentos exagerados e de interrompê-los, o que pode causar prejuízos e magoar a si e a outras pessoas.

Alguns dos sinais e sintomas da depressão são: tristeza constante, persistente, sem necessariamente haver uma razão aparente; alteração no sono habitual, podendo em alguns casos dormir muitas horas a mais e, em outros, ter insônia ou dificuldade para iniciar o sono, ou acordar várias horas mais cedo, ou ainda acordar várias vezes durante a noite; alteração na forma de se alimentar habitual, comendo mais ou menos que o habitual e podendo levar a um aumento ou a uma diminuição do peso; diminuição do desejo sexual; sentimentos de culpa, fracasso e inutilidade, vê-se como um fracassado e que nada em sua vida dá certo; dificuldades de concentração, de memória e para tomar decisões; pensamentos de morte ou vontade de morrer, entre outros.

Por: Dra. Roseli Lage de Oliveira

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Colocar limites, regras claras e objetivas, sendo consistente na aplicação de consequências pré-combinadas, ajudam a controlar o comportamento da criança e a ensinar a relação entre deveres e direitos.

Limites e regras orientam e controlam o comportamento das crianças, até se tornarem autoregras. Além disso, favorecem um relacionamento adequado entre os membros da família e uma postura respeitosa quanto aos valores e hábitos instituídos pelos pais. Devem ser sempre enunciados de forma clara e objetiva, e podem ser expressos segundo a construção condicional “se…então…”, estabelecendo um comportamento e anunciando uma consequência, como no exemplo “se você guardar seus brinquedos, então poderá assistir a seu desenho favorito”. Desta forma, os pais também estarão ensinando a relação entre direitos e deveres: a criança deve primeiramente cumprir seu dever para, depois, ter acesso e direito a algo que lhe seja reforçador.Rafaela Gualdi é coordenadora e docente do curso de Especialização em Atendimento a Crianças e Adolescentes  http://goo.gl/zgtyKJ

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Seja coerente com seu parceiro ou parceira na forma de educar seu filho

É fundamental que os pais estejam alinhados nos valores e princípios que queiram ensinar aos seus filhos. Além disso, devem decidir juntos quais são os comportamentos que desejam que a criança aprenda, sendo coerentes na forma de ensiná-los e na maneira de aplicar as consequências pré-combinadas. Informações dúbias ou confusas podem gerar comportamentos instáveis nas crianças e nos adolescentes, além de provocarem o desgaste da figura de autoridade dos pais.
Marcela é professora do curso de Especialização em Atendimento a crianças e adolescentes no Conscientia.

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